BELL WITCH – MIRROR REAPER

Mirror Reaper é o terceiro álbum de estúdio da banda Bell Witch, lançado no dia 20 de Outubro via Profound Lore Records.

Um lançamento cercado de muitas expectativas graças ao à forma com que os álbuns anteriores da banda foram bem recebidos, e também, pelo conceito que ela adotou em Mirror Reaper. Uma única e grandiosa faixa beirando uma hora e meia de duração. Eu sei, isso assusta. Sendo sincero, eu imagino que a duração total da faixa assustou mais do que a arte fantasmagórica do álbum e deixou muita gente incomodada só de pensar à respeito. E se você me conhece, sabe que eu não sou de atirar pedras quando vejo algo que muitos poderiam considerar pretensioso demais para as convenções do gênero, que apesar de não ser algo inédito no caso de ser uma única faixa extensa, passa longe de ser um tipo de contexto regularmente explorado.

Para uma banda que sempre encontrou nos aspectos que envolvem a morte, sofrimento e fantasmas, a fonte para alimentar sua temática, isso se torna algo ainda mais intimista e transcendente em Mirror Reaper. Isso devido ao falecimento precoce do Adrian Guerra em 2016, baterista da banda nos trabalhos anteriores.

O álbum possui um tom incrivelmente fúnebre, sombrio, uma experiência na qual você precisa se dedicar inteiramente pois exige mais do que qualquer outro álbum que você encontraria. A jornada é árdua principalmente se essa for sua porta de entrada dentro do âmbito musical do grupo, eu particularmente não recomendaria Mirror Reaper logo de cara, simplesmente aconselharia você escutar os outros dois álbuns primeiro para enfim mergulhar nele. Mas como meu objetivo nesse blog é dar exposição às bandas e seus respectivos álbuns, talvez Mirror Reaper possa te engajar de algumas formas.

A sonoridade da banda é marcada por repetições, desenvolvimentos que obviamente vão acontecer de maneira lenta, sem nenhuma pressa ou necessidade de te poupar de longas passagens monolíticas, antes de introduzir novas texturas. É muita coisa para se assimilar, mas não é impossível. Dylan Desmond (baixo, vocal) e Jesse Shreibman (bateria, órgão, vocal) conseguem extrair o máximo de si próprios para entregar o melhor álbum possível. É incrível como um duo consegue criar um som tão profundo e encorpado como a Bell Witch tem aprimorado à cada lançamento.

O álbum possui duas passagens “calmas” interessantes, e devido à duração do álbum, elas se estendem mais do que o normal (a segunda delas na parte final da faixa beira os vinte minutos), sendo um contraste necessário com os momentos em que a banda golpeia lentamente, mas com muito vigor, as passagens mais pesadas. E entre os diversos contrastes e paralelos existentes no álbum, os vocais não poderiam deixar de encantar. Linhas limpas, alternam entre guturais cavernosos e alguns berros ásperos que parecem conter toda a angústia e melancolia do mundo. Vale ressaltar que existe uma participação do baterista falecido Adrian Guerra, a banda utiliza uma performance vocal dele que foi cortada do álbum Four Phantons… e isso ao menos para mim é algo que eleva todo o contexto por trás do Mirror Reaper.

Eu não gostaria de ter feito um texto tão longo pois pode se tornar cansativo (apesar disso acontecer com frequência), mas inevitavelmente isso é o que temos para hoje. E eu também não quero cravar o álbum como a coisa mais incrível e única que você escutará por um período, tudo depende da forma como você vai interagir e se envolver com ele ou não. E mesmo por se tratar de uma faixa única tão longa e repleta de uma carga emocional que não é nada positiva ou animadora, Mirror Reaper possui qualidades de sobra para proporcionar à você uma experiência musical distinta.

 

 

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