Boris – Dear

a3010870023_16Boris é uma das bandas mais criativas que já conheci, em sua vasta discografia o grupo japonês sempre demonstrou uma vontade de explorar os mais diversos gêneros e sonoridades, passando pelo Drone, Sludge, Stoner, Shoegaze, Psych Rock e até mesmo o Pop. E mesmo que algumas fases e álbuns da banda possam fugir do tipo de música que você procura, álbuns como Amplifier Worship, Pink, Heavy Rocks e Akuma no Uta são tão populares e influentes que você provavelmente já deve ter escutado pelo menos um deles em algum momento. Eu confesso que não procurei por nenhuma prévia do Dear, queria manter a curiosidade em relação ao que seria apresentado pela banda, e devo dizer, que fiquei bastante feliz em ver o grupo voltar às suas raízes no álbum.

Dear explora com muita veemência o Drone Doom, Sludge e Noise, a sonoridade aqui é absurdamente pesada e densa. As repetições e riffs carregados de distorções são frequentes no trabalho. Logo nas duas primeiras faixas do já temos dois exemplares dessa devastação sonora feita pelo grupo, “D.O.W.N (Domination of Waiting Noise)” e “Deadsong” vão fundo nas estruturas do Drone e são precisamente densas e sombrias, com os vocais surgindo para dar um complemente à essa fórmula. “Kagero” e “The Power” (que me trouxe à memória algo do álbum colaborativo Altar) também trabalham essa dinâmica, dando ênfase ao tom etéreo do vocal em “Kagero” que por possuir uma participação mais efetiva consegue dar um lado mais emocional ao som feito pelo grupo.

“Absolutego” traz a essência do clássico álbum de 1996 em uma versão mais dinâmica e enérgica, o Sludge assume o plano principal e há uma quebra no ritmo inicial proposto pelas duas primeiras faixas. “Beyond” tem um início mais atmosférico, suave, com os vocais arrepiantes da Wata sendo muito bem utilizados, antes que a evolução da faixa nos entregue uma onda massacrante de ritmos intensos e riffs obrigatoriamente pesados. Já “Biotope” oferece uma certa suavidade e  estruturas mais fáceis de serem assimiladas. A presença constante dos vocais, a atmosfera cativante e a série de mínimos detalhes que vão sendo atribuídos em seu desenrolar resultam em uma das faixas mais singulares do álbum.

E mesmo tendo apreciado o álbum em sua totalidade, são as três últimas faixas de Dear aquelas que mais se destacaram pra mim. “Memento Mori” com sua densa e crescente atmosfera que me deixou atônito, a beleza impressionante com requintes de um psicodelismo sombrio que me lembra algo do álbum Praparat na faixa “Dystopia (Vanishing Point)”, ou o contraste entre peso exacerbado e ambiente hostil de “Dear”, cada faixa atua dentro de sua própria estética mas sem jamais fugir da ideia central do álbum.

É difícil tentar situar o “lugar” que Dear ocuparia na extensa e diversificada discografia da banda, mas o álbum apresenta o Boris numa de suas formas que eu mais aprecio e demonstrando que ainda não perdeu aquela pegada e identidade que fazem do grupo um dos mais clássicos e importantes na cena. Se você gosta do Boris e da forma como a banda se apresenta em sua fase clássica do Drone / Doom / Sludge, Dear sem dúvida será uma experiência positiva.

 

Tracklist:
01 – D.O.W.N (Domination of Waiting Noise)
02 – Deadsong
03 – Absolutego
04 – Beyond
05 – Kagero
06 – Biotope
07 – The Power
08 – Memento Mori
09 – Dystopia (Vanishing Point)
10 – Dear

 

 

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Uma opinião sobre “Boris – Dear”

  1. ALBUM REVIEW : BORIS – DEAR

    Boris is one of the most creative bands I’ve ever known, the vast discography of the Japanese group has always demonstrated a willingness to explore the most diverse genres and sounds, passing through drone, sludge, stoner, shoegaze, psych rock and pop. And even though some of the band’s phases and albums can escape of the kind of music you’re looking for, albums like Amplifier Worship, Pink, Heavy Rocks and Akuma no Uta are so popular and influential that you probably have already listened to at least one of them at some point. I confess that I did not look for any priors of Dear, wanted to keep the curiosity about what would be presented by the band, and I must say, I was quite happy to see the group back to their roots on the album.

    Dear explores the doom drone, sludge and noise, the sound here is absurdly heavy and dense. Repetitions and riffs laden with distortions are frequent. In the first two songs already we have two examples of this devastation sound made by the group, “D.O.W. N (Domination of Waiting Noise)” and “Deadsong” go deep into the drone structures and are precisely dense and gloomy, with the vocals arising to give a complement to that formula. “Kagero” and “The Power” (which brought me to memory something from the Collaborative Altar album) also work this dynamic, emphasizing the ethereal tone of vocals in “Kagero” that possesses an effective participation and can give an emotional side to the sound made by the group.

    “Absolutego” brings the essence of the classic 1996 album into a more dynamic and energetic version, the sludge assumes the main plan and there is a break in the initial rhythm proposed by the first two tracks. “Beyond” has an atmospheric and mild start with the sweet vocals of Wata being very well utilized, before the evolution of the song delivers a massacring wave of intense rhythms and necessarily heavy riffs. Already “Biotope” offers a certain softness and structures easier to assimilate. The constant presence of vocals, the captivating atmosphere and the series of minimal details that are being attributed in its unwind result in one of the most singular tracks on the album.

    And even having appreciated the album in its entirety, the last three tracks of Dear are those who have stood out for me most. “Memento mori” with its dense and growing atmosphere that has astonished me, the stunning beauty with refinement of a gloomy psychedelic music that reminds me of something from the album Praparat in the track “Dystopia (Vanishing Point)”, or the contrast between exacerbated heaviness and hostile environment of “Dear”, each track operates within its own aesthetics but without ever escaping from the central idea of the album.

    It is difficult to try to situate the “place” that Dear would occupy in the extensive and diverse discography of the band, but the album presents Boris in one of their ways that I most appreciate and demonstrating that it hasn’t lost that footprint and identity that make the group one of the most classical and important in the scene. If you like Boris and the way the band presents themselves in their classical phase of the drone/doom/sludge, Dear is without a doubt will be a positive experience.

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