Entrevista: Stoned Jesus

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A banda Stoned Jesus retornará ao Brasil em breve para apresentar a turnê em que toca o álbum Seven Thunders Roar na íntegra. Batemos um papo com o vocalista / guitarrista Igor onde perguntamos sobre a expectativa em relação ao retorno no país, detalhes sobre o próximo álbum de estúdio, entre outras coisas. Confira!

Obrigado por conceder esta entrevista, significa muito para nós. Como tem sido o ano de 2017 para a banda?

– Muito Obrigado! Bem, ele tem sido um ano duro para mim pessoalmente. Mas eu fiquei perplecto com a grande quantidade de comentários positivos que a turnê do Five Thunders Roar tem recebido, então isso é o que me motiva nesses dias. Uma verdadeira benção!

 

Em relação à turnê sul americana que vocês fizeram no último ano, vocês deixaram uma boa impressão, tanto no palco com uma performance empolgante, quanto fora dele interagindo com os fãs da banda. como foi a sua experiência ao realizar essa turnê e o que achou da interação do público nas apresentações em solo brasileiro?

– Somos viciados em feedback, cara! Eu digo, feedback emocional é claro, então se a audiência estiver fraca e apática não espere um show decente de nós. Nos deparar com o contrário disso em nossa primeira turnê sul americana nos deixou completamente atentos de como o seu público é incrível – significa que nós temos que elevar nossa performance e encarar o desafio! Apresentar nossa música para pessoas tão devotas e enérgicas transcende qualquer experiência de um show, muito além dos limites de um show de rock comum. É seguro dizer que essa turnê foi uma das melhores que já tivemos!

 

Agora vocês retornam à América do Sul com a turnê especial em que tocam o “Seven Thunders Roar” na íntegra. Além de toda aclamação e elogios recebidos pelo álbum, ele já figura entre os principais lançamentos do gênero dos últimos anos. Como é para vocês receber tamanho reconhecimento e poder retornar aqui mais uma vez?

Muito obrigado pelas palavras gentis! É difícil de julgar sendo o criador da obra haha, mas somente pela reação que nós estamos recebendo ao tocar o álbum na íntegra eu tenho que concordar com você – existe algo especial e único em relação ao Seven Thunders Roar… isso reúne tantas pessoas diferentes juntas toda vez… estranhamente o álbum foi de certo modo ignorado na época de seu lançamento, mas então “I’m the Mountain” começou a receber aquele número de visualizações insanos e em seguida você sabe o que aconteceu, é a faixa mais popular de Stoner / Doom / Psych na história do Youtube.

Eu acredito que este nível de popularidade nos faria grandes se fosse nos anos 70, mas no século 21 nós somos apenas três caras ucranianos vivendo em turnês constantes. Eu não estou dizendo que queremos uma casa de campo com um helicóptero e uma piscina, mas nós mal podemos nos dar o luxo de comprar nosso próprio backline!

 

Ao longo de todos esses anos a banda coleciona apresentações ao lado de nomes importantes da cena do Stoner / Doom / Sludge, além de participar de diversos festivais. Quais deles foram mais marcantes / importantes para você?

– Hellfest, sem dúvida. Sem desmerecer nenhum outro festival, tiveram vários festivais menores que foram honestamente muito legais, mas o Hellfest é como se fosse de outro planeta.

Tudo, desde as checagens de som até os banheiros, da comida ao wifi, a melhor qualidade. E também ele representa uma grande variedade de música pesada, você simplesmente não fica entediado lá!

 

Um situação inusitada aconteceu na apresentação da banda na cidade do Rio de Janeiro, na qual você teve alguns problemas com a correia da guitarra durante a “I’m the Mountain”, e ainda assim, seguiu a apresentação com bastante personalidade. Você se lembra desse ocorrido? Tiveram outras situações inusitadas ou mesmo engraçadas que banda passou durante um show ou em viagem por algum país?

Oh, acredite em mim isso é muito comum! Eu parto as cordas o tempo inteiro, minhas correias soltam de mim com frequência, mas eu decidi há muito tempo que eu tenho que seguir adiante independente disso. Isto é apenas mais um desafio e você tem que tocar a música, o quanto menos você se atrapalhar o mais você ficará impressionado com si mesmo – e todas aquelas pessoas que estão ali embaixo também! Algumas vezes eu troco a corda durante o solo, bem no meio dele e você não saberia dizer! Quando a vida te dá limões… você sabe como isso continua, haha.

 

De onde vem às inspirações musicais da banda, tanto na parte instrumental quanto em relação às letras? Existe alguma banda ucraniana que influenciaram no tipo de música que vocês queriam tocar?

– Não, nenhuma pra falar a verdade. A ideia inicial da Stoned Jesus era ser um tributo espiritual aos grandes nomes dos anos 70, era isso o que eu pensava em 2009, mas não é mais relevante. Isso agora se tornou nossa própria banda, com estilo sonoro reconhecível e forma distinta – mesmo quando nós mudamos algo de um álbum ao outro. Nós todos escutamos várias coisas diferentes – do hip hop mainstream à loucuras Avant-Garde – então é difícil dizer o que realmente nos influenciou exatamente e de qual modo. Eu digo, você pode se inspirar pelo modo que um artista faz algo, mas não por sua música, não pode?

Ainda assim, nós não nos importamos de levar nossas influências para nossa música, mas claro que nós não deixamos elas se tornarem a coisa principal. Se você é louco pela música de alguém, faça um cover dela! Não há necessidade em imitar o trabalho de alguém quando você tem confiança sobre suas próprias habilidade composicionais.

 

Analisando a discografia da banda, qual mudança ocorre no processo de composição de um álbum para outro. O feedback da mídia e do público influencia a banda na hora de compor novas músicas?

Somos super egoístas nisso: nós somos os únicos que tem que amar nossas músicas em primeiro lugar e depois os demais. Se eu tivesse seguido as tendências do estilo, eu estaria vestindo jeans bootcut com as blusas da minha avó e tocando Blues com grooves básicos do Boogie-Rock… ou seja lá o quê essas bandas revivals e retrô estão fazendo atualmente, eu não me importo.

E também, não nos preocupamos em ter que enquadrar nossa música dentro de um gênero e esse é um tipo de problema que temos com alguns ouvintes. Eles tem essa ideia do que a Stoned Jesus é e nós falhamos constantemente em ter que atender suas expectativas, hehe. Isso acontece porque  nós não temos uma ideia definida do que somos! É natural para nós experimentar e mudar de um álbum para o outro, então não há razão para esperar a mesma música da gente a cada dois / três anos. Podem nos chamar de um banda Post-Stoner então!

 

E falando sobre novas músicas, no ano passado você lançaram o álbum The Seeds Vol. II, que reúne quatro jams exclusivamente instrumentais. Existem mais dessas jams prontas que a banda não lançou oficialmente?

– Ah, isso é a forma com a qual nós exercitamos nossa habilidade musical, essas jams nunca se transformariam em faixas de verdade. São apenas uma parte das nossas atividades internas para o seu prazer, hehe.

 

E quando podemos esperar por um novo álbum da Stoned Jesus? Você já possuem algumas ideias daquilo que se tornará seu próximo lançamento?

– Sim, muitas na verdade. Infelizmente eu duvido que nós seremos capazes de finalizar tudo antes do final do ano… um lançamento para o início de 2018 talvez?

#STJFourthLP será bastante pessoal, sombrio e muito pesado, mas não na maneira do Doom Metal (não, não será speed metal também!). Tudo o que eu tenho a dizer é que isso será outra mudança inesperada para a Stoned Jesus. Eu tenho que admitir que fazer a turnê “Seven Thunders Roar” novamente, enquanto nós também estamos trabalhando em nosso quarto álbum, é certamente um tipo de influência.. ok, é isso, eu falei bastante!

 

A Stoned Jesus é a banda mais popular da cena ucraniana do Stoner & Doom, que também conta com nomes como Somali Yatchi Club e Ethereal Riffian. Como vocês avaliam o atual momento da cena em seu país? Existem algumas bandas novas que vocês poderiam destacar que ainda não alcançaram um público maior?

– Hey, que ótimo saber que você está familiarizado com a música dos nossos amigos! Uma outra banda que você tem que conferir é 5R6, é uma resposta de Carcóvia ao Alice in Chains mas com uma vibe similar ao Mastodon… não sei como descrevê-los, eles são de um tipo único! Você também poderá gostar de Personal Murderer, City of Me e H. Soror, essas bandas são muito sombrias e criativas.

 

Nós gostaríamos de agradecer pela atenção e desejamos que a turnê e sua estadia em nosso país sejam completamente positivas! Você gostaria de mandar uma mensagem para os fãs da banda aqui do Brasil?

O prazer é todo nosso! É uma loucura como isso tudo começou com a hashtag #cometobrazil e aqui estamos nós, nos preparado para outra turnê sul americana… eu tenho que dizer que responder à essa entrevista me trouxe tantas memórias incríveis da nossa primeira experiência por aí, eu estou quase chorando! É bom saber que eu não estarei chorando nesse mês de Agosto, quando a turnê do Seven Thunders Roar chegar em suas cidades. E nós olharemos dentro desses olhos brilhantes novamente, escutaremos pessoas gentis cantando todas as letras do início ao fim, nós veremos elas perderem suas mentes com nossa música… é o que faz você se sentir tão vivo e trás tanto significado para nossa existência. Mal posso esperar!

 

Stoned Jesus Poster 2017

 

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Um comentário sobre “Entrevista: Stoned Jesus

  1. Interview: Stoned Jesus

    Thanks for answering the interview, it means a lot to us. How has it been the year for the band?

    – Hey, Igor’s here, thank YOU! Well it’s been a tough year for me personally. But I was blown away by the overwhelming positive response Five Thunders Roar Tour been getting, so this is what keeps me going these days. A real blessing!

    Regarding the Sudamericana tour you did last year, you made a good impression on the stage with an exciting performance, and out of it interacting with the fans of the band. How was the band’s experience in performing this tour and what are your thoughts about the public reaction to your show here on Brazil?

    – We’re feedback junkies, man! I mean emotional feedback of course, so if the audience is weak and apathetic, don’t even expect a decent show from us. Seeing quite the opposite of this on our first South American tour made us fully aware of how good your crowds actually are – meaning we had to step up our game to face their challenge! Performing your music for such devoted and energetic human beings transcends the whole concert experience far beyond the borders of the ordinary rock show. Safe to say this tour was one of the best we’ve ever had!

    Now you return to South America with the special tour in which you play the “Seven Thunders Roar” in full. In addition to all acclaim and accolades received by the album, it already appears among the main releases of the genre of the last years. How is it for you to receive this size of recognition and be able to return once again to South America with this special tour?

    – Thanks a lot for your kind words! It’s difficult to judge being the creator of the whole thing, hah, but from the reaction alone that we’re getting from playing the album in its entirety I must agree with you – there’s something special and unique about “Seven Thunders…”, that brings so many different people together each time… Oddly enough, it was largely ignored at the time of its release, but then “I’m the Mountain” started getting those insane views’ numbers, and the next thing you know it’s THE most popular stoner/psych/doom track in the history of YouTube!

    I guess this level of popularity would make us huge back in the 70s, but in 21th century we’re just three Ukrainian dudes living hand-to-mouth from constant touring. I’m not saying I want a freaking villa with a helicopter and a swimming pool, but we can’t even afford buying our own backline!

    Throughout all these years, the band collects presentations alongside important names of the Stoner/doom/sludge scene, in addition to participating in several festivals. Which of them were more striking/important to you?

    – Hellfest, hands down. No offense to all other fests, there were loads of smaller ones that were really, really cool, but Hellfest is like from another planet.
    Everything, from soundchecks to toilets, from food to wifi, is top-notch. Also it represents such a broad range of heavy music, you simply won’t get bored there!

    An unusual situation occurred in the presentation of the band in the city of Rio de Janeiro, in which Igor had some problems with the guitar strap during “I’m the Mountain”, and yet followed the presentation with a lot of personality. Do you remember of it? Have you had other unusual or even funny situations with the band during a show or off the stage?

    – Oh believe me this was VERY usual! I break strings all the time, my straps fail me from time to time, but I’d long ago decided I have to carry on regardless. This is just another challenge, and you just gotta play this song, and the less you screw it up the more you’ll impress yourself – and all those people down there, too! Sometimes I change the string during the freaking song, right in the middle of it, and you wouldn’t tell! When life gives you lemons…you know how it goes, haha.

    Where does it come from the musical inspirations of the band, both in the instrumental and in relation to the lyrics? At the origin of the band is there any Ukrainian band that influenced the kind of music you wanted to play?

    – No, not really. The initial idea of Stoned Jesus being the spiritual tribute to the Greats of the 70s, that I had back in 2009, is no more relevant. This is very much our own band now, with its recognizable sound and distinct manner – even when we’re changing things from one album to another. We all listen to a lot of different stuff – from mainstream hip-hop to crazy avantgarde – so it’s almost impossible to figure out what influenced us exactly, and in what way. I mean you could be inspired by the way a certain artist does something, but not by their music, couldn’t you?

    Still, we don’t mind our influences bleeding into our own stuff, but we don’t let them be the main thing of course. If you’re so crazy about someone else’s song, make a cover then! There’s no need in ripping someone’s off when you’re confident about your own writing abilities.

    Analyzing the band’s discography, which change occurs in the composition process of one album to another. Does the media and public feedback influence the band at the time of composing new songs?

    – We’re super-egoistical in this: we are the ones who gotta love the songs first and foremost! If I would have followed the genre’s trends, I’d be wearing bootcut jeans with my grandma’s blouse and playing blues licks over basic boogie-rock grooves…or whatever these revivalist retro-hard bands are doing these days, I don’t care.

    Also we don’t really care about fitting into genres, and this is the problem we kinda have with some listeners. They got this idea of what Stoned Jesus is, and we fail constantly to match their expectations, hehe. That’s because we don’t have the Idea set in stone of what we are! It’s natural for us to change and to experiment from one record to another, so there’s no point in expecting the same music from us every two-three years. Call us a Post-Stoner band then!

    And talking about new songs, last year you released the album The Seeds Vol. II, which brings together four jams exclusively instrumental. Are there any more of these jams ready that the band has not officially released?

    – Ah, these. This is how we flex our musical muscles basically, these jams will never grow into actual songs. Just a little part of our inner activity for your peeping pleasure, hehe.

    And when can we wait for a new Stoned Jesus album? Do you already have any ideas of what will become your next release?

    – Yes, very much so. Unfortunately I doubt we’ll manage to finish everything before the end of this year, so…an early 2018 release I guess? #StJFourthLP is going to be very personal, very dark, very heavy, but not in a doom-metal-kind-of-way (nope, no speed metal there, either!). All I gotta say is this is yet another unexpected turn for Stoned Jesus. I must admit touring “Seven Thunders…” again, while also working on our fourth album, is certainly an influence… Ok, that’s it, I’ve said enough!

    Stoned Jesus is the most popular band of the Ukrainian scene of Stoner and Doom, which also counts with names such as Somali Yacht Club and Ethereal Riffian. How do you see the current moment of the scene in your country? Are there any new bands that you could highlight that haven’t reached a larger audience yet?

    – Hey, nice to know you’re familiar with our friends’ music! Another band you gotta check out is 5R6, Kharkiv’s answer to Alice In Chains, but with a Mastodon vibe…don’t know how to describe them, they’re quite unique! Also you might like My Personal Murderer (2016’s “Cauchemar”), City Of Me and H. Soror, these bands are pretty dark and creative.

    We thank you for your attention and we wish the tour and your stay in our country to be fully positive! Would you like to leave a message for fans of the band here in Brazil?

    – The pleasure is all ours! It’s crazy how it all started with #cometobrazil tag and here we are, preparing for ANOTHER South American tour… I gotta say doing this interview brings so many amazing memories from our first experience there, I’m almost crying!

    The pleasure is all ours! It’s crazy how it all started with #cometobrazil tag and here we are, preparing for ANOTHER South American tour… I gotta say doing this interview brings so many amazing memories from our first experience there, I’m almost crying! Glad to know I won’t be crying this August, when Five Thunders Roar Tour hits your cities. And we’ll look into those shiny eyes again, we’ll hear sweaty people singing all these lyrics back to back, we’ll see them losing their shit to this music… which makes you feel so alive and brings so much meaning to your existence. Can’t wait!

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