Entrevista: McGee & the Lost Hope

Por Lais Seguin

A nova banda da cena stoner carioca, McGee & the Lost Hope, é a união de dois músicos experientes e talentosos, com bagagem musical inclusive além das fronteiras brasileiras. O guitarrista B.B. já rodou a Europa tocando com o bluesman Gwyn Ashton e, por aqui, é músico de estrada do australiano Jarrah Thompson. A vocalista, Mauren McGee, é natural de Seattle e lá iniciou a carreira artística. Eles se preparam para o primeiro show fora do Rio de Janeiro, cidade onde a criaram a banda, que acontece dia 1º de junho em São Carlos, interior de São Paulo. Nesta entrevista a dupla conta como se conheceram, as afinidades, referências de Jimi Hendrix a Blues Pills, as esperanças e planos para o futuro.

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Vocês são jovens do Rio de Janeiro que se conheceram na capital carioca, certo? Conte-me mais como foi esse episódio até formarem a banda.

B.B – Na verdade nos conhecemos em um show de Rock no mesmo lugar onde foi o nosso show de estreia. Eu lembro que estava pegando uma bebida no bar e nós simplesmente começamos a conversar e, quando percebemos, já estava amanhecendo e tínhamos muitas coisas em comum, inclusive o dia do aniversário!

M.M – Eu acredito muito em encontros de almas, e naquela noite eu tive certeza de que B.B e eu tínhamos alguma coisa em comum e que deveria ser explorada. Papo vem, papo vai, descobrimos o mesmo gosto musical, a mesma data de nascimento, algumas tatuagens em comum e nos demos super bem. Ali eu percebi que tinha feito um grande amigo. Dias depois, conversamos sobre montar um projeto musical juntos, aqui no Rio, pois eu estava passando uma temporada em Brasília, mas já estava voltando a morar no RJ e animada, preparada para fazer algo especial.

A McGee & The Lost Hope não foi a primeira formação de banda que vocês tiveram. O que fizeram separados, anterior à McGee?

M.M – Desde pequena eu sempre gostei de cantar ópera, me lembro de um musical que eu fiz, que cantei “As Bachianas de Villa Lobos”. E por eu ter vivido muito em Seattle (Estados Unidos), não preciso nem dizer que é uma cidade que respira música! Mas recentemente eu passei 2 anos em Brasília, onde lá montei uma banda de punk rock só de mulheres, que deu o que falar naquele meio machista de rock motociclista (risos). As meninas tocam muito, são lindas e mostramos muita atitude e personalidade em cima dos palcos. Eu vejo que Brasília foi a maior escola de rock e música que eu tive até hoje.

B.B – Eu toco em bandas desde os 14 anos, então é bastante coisa, mas falando das experiências recentes eu tocava com o bluesman australiano Gwyn Ashton, fizemos turnês no Brasil e na Europa por uns dois anos. Também toquei com outro guitarrista australiano, chamado Jarrah Thompson – meu grande amigo de longa data -, além de ter a minha própria banda aqui no Rio, chamada Jimmy Chong. Minhas outras incursões na música incluem o meu selo (Tropical FUZZ Fever) e meu trabalho como produtor musical, gravando bandas e colaborando com outros artistas no Escritório (facebook.com/pages/Escritório-Transfusão-Noise-Records).

O que é a “esperança perdida”, que está no nome da banda?

B.B – Pode ter vários significados, inclusive pra nós que criamos. Mas particularmente, tem um significado muito forte, que remete quando conheci a Mauren, de alguma forma eu sabia que havia encontrado a minha esperança perdida em achar uma grande vocalista capaz de interpretar e representar tão bem essas canções – além de ser uma das melhores compositoras que eu conheço. Mal posso esperar pra que o público conheça as novas canções do próximo EP que estamos preparando!

M.M – Essa parte do nome da banda foi sugerida pelo B.B, e estou fazendo o meu melhor para que a sua esperança realmente não seja perdida (risos). Mas tenho certeza de que nada está perdido por aqui, muito pelo contrário, estamos embarcando em uma longa estrada cheia de surpresas e conquistas!

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‘Sensitive Woman”, lançado no dia 8 de Março

O som da banda é um stoner mais psicodélico, como se nos fizesse refletir e nos colocar em uma viagem entre as décadas. Como você vê a questão da representação da psicodelia hoje? Como foi o processo de elaboração do EP para conseguir colocar essa questão e atingir esse resultado?

M.M – Eu amo a psicodelia, e acho que passo isso também nas letras que escrevo. Acho que a psicodelia veio de forma natural através da mistura do meu trabalho com a do B.B, e isso que é o mais legal e autêntico, quando duas fórmulas químicas se misturam e se transformam em algo que ninguém esperava, algo mágico e bastante colorido.

B.B – Eu não costumo parar muito pra pensar sobre o som psicodélico em sua essência e não sou nada purista nesse caso, acho que se pode encontrar exemplos ótimos de psicodelia em diversos estilos, só tento evitar os extremos e os excessos. Na dúvida, as palavras finais sempre vêm de Seattle: Mauren McGee e Jimi Hendrix! (risos)

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As músicas do EP fazem referências a uma mulher, como em “Driving your car” e a própria “Sensitive woman”. Por a vocalista ser uma mulher, é uma referência a ela mesma? Quem vocês buscam representar nas letras?

M.M – Acho que tudo que expomos diretamente ou indiretamente tem a ver com a gente mesmo. Eu já vivi muita coisa nessa vida, já passei muitas horas em estradas desse mundo, e principalmente sou uma mulher muito sensível. Acho que tudo que eu escrevo conta um pouco do que já vivi e senti. Tudo me inspira, desde lindas paisagens até grandes e loucas histórias de amor!

B.B – Acho que todas as letras acabam carregando certa “carga genética” de quem as compõe e acho muito importante termos uma voz feminina abordando seus próprios pontos de vista. Particularmente, acho um saco ouvir sempre a mesma visão dos homens sobre as coisas em letras de Rock. Precisamos de novos sons e novos pontos de vista: sinto-me realmente honrado por sermos representantes locais dessa “corrente” do Rock contemporâneo que remete a bandas como Blues Pills, The Spiders, Wucan, Black Mountain e tantas outras que acabam servindo de referência pra gente.

Dia 1º de junho a banda se apresenta em São Carlos. Como encaram esta primeira vez fora do Rio de Janeiro e como está o planejamento da agenda para o segundo semestre?

B.B – Mal podemos esperar! Eu já toquei no GIG em São Carlos com o Gwyn Ashton e o Jarrah Thompson e o público é sempre presente e muito participativo. Realmente adoro tocar no interior de São Paulo, tem uma atmosfera rock n’ roll muito forte e isso sempre me deixa animado!

M.M – Estamos bastante animados para essa gig em São Carlos! Eu nunca toquei lá antes, mas pelo que eu tenho escutado, vai dar rock! Nos próximos meses temos apresentações marcadas ainda para a divulgação do EP “Sensitive Woman”, inclusive voltaremos ao Estado de São Paulo, desta vem em Guaratinguetá como atração do Festival Estação Blues Rock. Esperamos conseguir mais datas com o lançamento do próximo EP que já está quase pronto!

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SERVIÇO

McGee & The Lost Hope dia 1º de junho (quinta-feira) no GIG (rua Nove de Julho, 1817, Centro). Entrada: R$ 10,00 com nome na lista do evento. Abertura da casa: 20 horas. Informações: (16) 3419-1800.

McGee & the Lost Hope na web: Facebook / Bandcamp

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