Entrevista: Black Bull Fuzz

Padrão

 

Nome novo no rolê mas que têm despertado o interesse de pessoas no país e na gringa, a banda Black Bull Fuzz formada por Boi – Luiz Ribeiro (guitarra, vocal), Xis – Henrique Guerra (baixo, vocal) e Tuba – Eduardo Vianna (bateria), concedeu uma entrevista para a Doombringer, onde tivemos a oportunidade de saber um pouco mais sobre suas origens, ideias relacionadas à banda, entre entre outras coisas. 

D: Primeiramente, eu gostaria de agradecer pela oportunidade de bater esse papo. Vocês poderiam contar um pouco da história da banda, como se conheceram e começaram a compor material?

BBF: Tiago, a gente que agradece a atenção e a oportunidade, muito legal a iniciativa. Nós somos amigos a muito tempo. Eu (Luiz Boi) e o Xis somos amigos desde 1997,  e eu e o Eduardo (Batera) nos conhecemos desde 1990, mas o Xis e o Tuba (Eduardo) se aproximaram na banda.

Em Julho de 2011, durante uma conversa, Henrique Guerra (Xis) e Luiz Ribeiro (Boi Ribeiro) decidiram formar uma banda pra tocar Rock’n’Roll com uma pegada mais forte e trabalhada, moderna e ao mesmo tempo sem descaracterizar arranjos e alguns timbres dos clássicos do rock 70. Assim, Leo Laurenti assumiu a bateria da banda e, um tempo depois, foi até adicionado um tecladista para novos experimentos, Israel Denadai. Com a intenção de fazer música própria misturando diversos estilos de rock (stoner, doom, blues e rock psicodélico) a banda começou a tocar alguns sons clássicos em festivais e, consequentemente, criar seus próprios sons.

“Perdemos” muito tempo fazendo experimentos de gravações, timbragens e também em nossas composições. Ficamos mais de um ano nesse processo com a formação antiga. Depois que o Tuba assumiu a batera nos entrosamos muito bem; as ideias fluíram e com essa formação, em pouco mais de um ano já fizemos o EP e mais alguns sons que não terminados (que acabaram não entrando no mesmo). O processo ainda é lento por conta do pouco tempo que temos para nos dedicar a isso, mas está melhorando. Não temos muita pressa no processo de composição, pois preferimos que demore mas que fique o mais próximo possível do jeito que a gente quer – sempre a Black Bull Fuzz foi mais como um hobby pra gente.


D: O nome da banda reflecte bem a sua sonoridade, pesada e agressiva. Quais são as ideias por trás da música feita por vocês e qual a mensagem que querem levar ao público?

BBF: O nome da banda partiu da ideia de demonstrar no máximo possível o som proposto, algo “forte”, “grande”, “pesado”, “sujo” e “pancada”; sendo assim, pense numa cena de um búfalo negro, sujo, bravo, fungando, babando, vindo em sua direção, mirando pra te atacar e pense numa trilha sonora para essa cena. As letras são meio que desabafos (algumas vezes até meio psicodélicas). Falamos da tensão, estresse e pressão que nós e toda humanidade vivemos, esse caos infernal e os efeitos e consequências psicológicas dessa loucura que está o nosso planeta.


D: Falando sobre influências, quais são as principais que vocês possuem dentro e fora do Stoner?

Escutamos de tudo um pouco, mas a banda que tem mais influencia em nossos sons e que os três tem em comum é com certeza o grande Black Sabbath.

O mais legal de fazer um som stoner é que, de uma forma ou de outra, juntamos um pouco de tudo que gostamos e descemos a lenha em nossas composições. Essa é a grande sacada do stoner, não existe um “padrão” ou “limite” a se seguir.

BOI: curto mais as bandas Setentêra, Led, Rush, Sabbath (com Ozzy), Hendrix, Deep Purple, Sweet, Neil Young, Pink Floyd, Thin Lizzy e por aí vai. Anos 80 curto mais a linha Motorhead, Metallica, anos 90 Pantera, (tirando as cagadas do Anselmo), Helmet, curto muito uns punk rock, Ramones, Pistols, Clash, uns punkão nacional, RDP, Garotos Podres. De certa forma tudo acaba influenciando um pouco, algumas influências são mias evidentes, outras não. Dentro do stoner, pra mim é Kyuss, QOTSA, Wo Fat, Church Of Misery, Orange Goblin, The Machine e apenas os primeiros ou primeiro disco das seguintes bandas: Sons Of Huns, Valley Of The Sun, Red Fang e Sword.

XIS: curto  bandas de vários estilos.  Setentêra (Black Sabbath, Lucifer’s Friend, Led, Rush e Purple), bandas stoner/doom (Electric Wizzard, High on Fire, Conan, The Sword, YOB, Wo Fat, Church of Misery, Sleep, Kyuss e Orange Goblins) e também bandas mais pesadas no estilo grindcore punk, além de bandas blues.

TUBA: sou fã de Sabbath e Purple, e tenho uma veia mais metal, curto as diversas fases do Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Motorhead. Dentro do stoner o Sword e o Sons Of Huns.


D: Sobre o EP, as faixas presentes nele foram criadas no mesmo período ou existem algumas que foram compostas anteriormente e já eram conhecidas por aqueles que acompanham a banda? 

BBF: Apenas a faixa bônus foi criada e gravada no “começo” da banda, com o baterista anterior Leo C. Laurentti e o tecladista Isrel Denadai. As demais foram criadas no mesmo período, de volta ao trio já com o Tuba na batera. A faixa “Lull”, também foi criada recentemente com a ideia de dar uma relaxada no “ouvinte” para depois entrar a BBF (bônus). Chamamos nosso grande amigo Amilcar Marcel de Souza, passamos a ideia a ele e ele compôs aquele excelente instrumental. Como dito antes, temos muitos sons pra finalizar ainda e já estamos trabalhando nisso.


D: Como foi o feedback após o lançamento? Vocês atingiram mais pessoas do que esperavam?

BBF: Foi bem legal, não esperávamos que iria ter várias fontes diferentes divulgando nosso som na camaradagem, porque curtiram o som e porque curtem o estilo.

No exterior mesmo a resposta foi muito rápida, nunca a gente iria imaginar receber tantas mensagens de pessoas e até mesmo bandas que curtiram nosso som mandando mensagens, com tanta intensidade.


D: Como é a cena musical da sua cidade e região? Vocês tem espaço para se apresentar e quais outras bandas daí que fazem um som autoral vocês indicariam?

BBF: Tem bandas bem legais em Jaú, mas autorais bem poucas na ativa. Temos nossos amigos do Mais Valia que faz um instrumental/stoner/psicodélico de responsa, a Evil Remains que é uma molecada mais pro metal com e outras bandas de outros estilos que organizam eventos junto com a gente. A maior dificuldade é ter locais para as bandas tocarem aqui em nossa cidade, pois os bares que rolavam som ao vivo praticamente não existe (sobrou somente o Tijuana Rock Bar), restando somente os tradicionais com bandas comerciais. Aqui “sobrevivemos” somente de festivais e bem raros de acontecer, para o estilo de som.

Em Bauru tem bandas bem legais também e tem mais movimento em relação a isso. Mesma coisa em Botucatu e Ipaussu, com bandas de variados estilos, mas que acolhem bem a cena e organizam os eventos.

É nesse meio onde temos tocado ultimamente, bares, festivais ou casas de show pra esse estilo não tem não muita força no interior do nosso estado (São Paulo). Aliás, o brasileiro não se liga muito em som autoral de bandas alternativas, não é da nossa cultura. Alguns grandes centros até rola uma cena, como Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte, mas nossa região é carente disso. E incrível como no Brasil tem bandas de alto nível fazendo uma stonera, a AMP de Pernambuco,  em Mossoró tem a Black Witch, Maceió a Necro, não podendo deixar de citar também a dupla mineira Munõz e a dezena de bandas por lá, talvez onde tenha a maior cena nacional do estilo.


D: Quais são os planos da banda para o futuro? Possuem alguns shows agendados?

BBF: Estamos compondo mais músicas, e vamos tentar melhorar a qualidade de gravação do segundo trampo. Esse EP nós mesmo gravamos, sem dinheiro, na tosquera mesmo, onde a gente ensaia – um depósito de material para fábrica de calçados, com nosso equipamento de ensaio. Emprestamos microfones, mas todos o mics usados eram chineses, interface de áudio de dois canais, notebook com windows travando (e daí pra pior), mas estávamos com o sangue nos olhos. Acho que fizemos o melhor possível com que tínhamos em mãos; a gente só tinha grana pra pagar a mixagem a arte (diga-se de passagem trampo massa demais do Alexandre Palácio, baixista da banda Mais Valia), o legal é que pro estilo cabe essa coisa rústica, a maioria não vai saber até que ponto “do podre” é deficiência do processo de gravação ou do próprio estilo do som e timbres rsrsrs, pois muitas bandas optam pelos timbres rústicos, com sonoridade das gravações dos anos 60 e 70, como o Kadavar por exemplo, mas fazer esse rústico com qualidade, é coisa de estúdio e profissionais de alto nível.

Temos algumas datas engatilhadas, mas estamos com o foco nas composições. Demora, mas fazemos tudo sem estresse. Nossa vida já é foda, se a banda virar mais um motivo de estresse deixa quieto. Quando o bicho pega, a gente dá um tempo. Se alguém tem algum problema e não pode ensaiar, rola a compreensão por parte dos outros e vice-versa – esse respeito e amizade é o que faz a coisa rolar.

D: Em nome de todos os membros da Doombringer eu agradeço pela entrevista. Há algo mais que vocês queiram falar que não foi incluído nas perguntas?

BBF: A gente que agradece Tiago, muito legal a atitude de vocês.

Pra quem quiser conhecer mais sobre a banda, dá uma sacada hein https://www.facebook.com/BlackBullFuzz/

Black Bull Fuzz – S/T EP

a3524956189_16

O nome talvez soe como uma novidade, Black Bull Fuzz é uma das novas caras do Stoner nacional e debutou recentemente com o EP auto intitulado. Direto e reto, sujo e agressivo, palavras que se tornam bem presentes ao decrever o som da banda, que não poupa nossos tímpanos e distribui uma série de pancadas ao longo do EP. Riffs pesados, passagens “grooveadas” e vocais nervosos, um prato cheio para aqueles que procuram por algo dentro da linha mais clássica do gênero.

Com exceção da faixa Intro e da Lull, as demais faixas presentes no EP emplacam ritmos agressivos e agitados, dando um destaque merecido para as faixas “Sound of Chaos” e “Straight Into the Void”. Apesar dessa dinâmica ser a mais presente no EP, encontramos algo a mais no som feito pela Black Bull Fuzz, como na faixa “Desire to Burn”, onde por alguns momentos a banda desacelera o ritmo, diminui o peso e acentua as doses de lisergia. Apesar da qualidade da gravação não ser a ideal, como os próprios membros relataram na entrevista, ela não prejudica o andamento do álbum e nem ofusca as qualidades que a banda possui. Então, fica aqui o convite para aqueles que quiserem conhecer o som feito pela Black Bull Fuzz, sigam a banda no Facebook e lembrem de inserir algum som da banda em sua trilha sonora da bebedeira!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s