Entrevista: Saturndust 

Primeira entrevista realizada pela página e a banda escolhida é uma das principais da cena Stoner / Doom nacional, a Saturndust. O guitarrista / vocalista e fundador da banda Felipe Dalam, fala sobre o processo das composições, influências, alguns detalhes sobre o novo álbum e a apresentação no Psycho Las Vegas.

D: Vocês já se apresentaram em diversos eventos pelo país e tocaram ao lado de nomes importantes da cena nacional, além das gringas Mars Red Sky, Stoned Jesus e mais recentemente Samsara Blues Experiment. Atualmente, como você avalia a cena nacional, tanto no aspecto de bandas surgindo, eventos e participação do público?

F: A cena nacional sempre existiu com nomes absurdos dentro do thrash, death e hardcore/crust que já se proliferaram pelo mundo. Das bandas nacionais atuais, a minha favorita de longe é a Ourang Medan  de Natal. Fazem um sludge abissal. Há um artista de dark-trap do RS que é um grande amigo meu e dou valor ao som dele, se chama Oculto.  Não digo isso porque são amigos meus, mas sim porque consigo dizer sinceramente que fazem música que eu possa ouvir por aí com gosto, não por empolgações baratas.

D: A Saturndust representará o país no Psycho Las Vegas, que reunirá diversas bandas influentes de cenas variadas. Como surgiu esta oportunidade e o que ela representa para você? E será uma grande ocasião  para divulgar o novo álbum. Vocês vão elaborar um set mais focado nele ou no debut?

F: Foi curioso. Não houveram “contatos” afinal não conhecíamos ninguém pra nós colocar lá e somos uma banda de meros proletariados de classe baixa/media. Gostaram do som e entraram em contato e aí… só magia. {:

Quanto ao set provável que seja 90% novo álbum e uma música inédita que não estará nem no novo álbum! Mas ainda não dá pra dizer.


 

D: Quem foi o responsável pelas composições do álbum? Como é o processo de composição, é algo sempre feito em conjunto?

F: Eu. Escrevi todas as musicas da banda até hoje, crio tudo em casa e apresento a eles. Quando penso num riff/parte já penso num groove específico pro mesmo, oriento o batera a fazer e se alguém tem alguma adição complementar, sempre bem vindo! Mas as ideias são sempre todas minhas. Não porque não deixo criarem, mas porque acaba sendo sempre eu que escrevo e penso em todo o lado artístico disso desde que criei a banda, desde cada parte é cada letra, cada nome de cada som, então… nada de pagar de líder, é só o jeito que sempre foi. Mas sempre as portas foram abertas pros membros escreverem musicas.

D: E sobre o novo álbum como você o descreveria e o que podemos esperar dele?

F: Como criador de som, rumo mais a me basear nas minhas próprias experiências e concepções. Tento ao máximo me afastar dos padrões por mais que assim que criamos algo, o mesmo já tem uma nomenclatura ou rótulo. Rumar a ser mais si mesmo dentro do que você cria. E claro, o álbum tá mais pesado, experimental e diverso!


 

D: Sei que você é um cara que curte diversos tipos de sons dos mais variados estilos, isso serve de influência na hora de compor?

F: Serve sim! Escuto de tudo. Desde ambient/experimental, harsh-noise, trilhas de western… e como muita gente já sabe: hip-hop (principalmente pela produção e sinceridade artística, mesmo dos piores rappers/trappers às vezes).

História random: “Cryptic Endless” do primeiro álbum foi levemente baseada num som do Lil Jon. Queria algo grooveado e quem não ama GET LOW. Lembro que criei a bateria eletrônica da Cryptic inteira em um programa de computador em 2012 e algo me dizia que eu tinha me baseado naquilo. Hahah foda-se, prefiro milhões de vezes som assim do que rock ruim. Na real, NADA é pior do que bandas ruins, acho que só sertanejo mesmo.

Escuto diversos artistas de estilos bem variados. De Oren Ambarchi a Death Grips, sem limites. Gosto de escutar música ruim também, pra me desafiar. Música ruim é só um conceito social. Gosto do fator surpresa na arte. Tenho aplicado mais e mais isso na banda.


2001: A Space Odissey


D: Além da música, quais outros fatores servem de inspiração? Sei que você aprecia o 2001 do Kubrick, há outros filmes nessa temática que de alguma forma te inspiram?

F: 2001 é o principal por ser o intocável, no trono supremo dimensional cósmico e estético. Interstellar apesar de muito focado em “trama” e reviravoltas, cumpriu bem seu papel. Event Horizon apesar de mais focado no terror, é um sci-fi foda que se esquecem de lembrar (prefiro que seja assim, em tudo). Quanto a filmes, bem brevemente é isso, hora dessas faço uma lista de livros e filmes que servem de inspiração.


Event Horizon

D: Obrigado pela oportunidade de realizar a entrevista, gostaria de passar um recado final?

F: O novo álbum se chamará “RLC”.

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