Mizmor – Yodh

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Gilead Media    

Alguns álbuns parecem estar destinados a surpreenderem o público em geral, surgindo quase como uma incógnita e de repente se transformando em algo colossal e capaz de atingir proporções grandiosas, isso pode ser aplicado ao que aconteceu com a Mizmor (também conhecida como מזמור) em Yodh. Até então, a banda era algo completamente desconhecido por mim (e acredito que para muitos também) mesmo contando com uma quantidade relativa de material lançado entre splits, singles e EP’s. Yodh é o segundo álbum de estúdio da one man band de Portland, idealizada por A.L.N. que possui uma trajetória por bandas como Urzeit e Hell (que inclusive possui um split com a Mizmor).

Trazendo os traços inconfundíveis do artista polonês Zdzisław Beksiński na capa do álbum, Yodh explora uma sonoridade capaz de triturar seus ouvidos em questão de instantes. Mergulhando fundo na esfera do Black Metal em combinação com o que há de mais interessante no Drone / Doom, o álbum possui um estilo inconfundível e apresenta uma jornada pelas sonoridades mais sombrias, insanas e caóticas criadas pela mente do A.L.N.

O álbum apresenta cinco capítulos de longa duração, com todas as faixas ultrapassando os dez minutos. Organização é uma das palavras que melhor definem o que é construído no álbum, as transições entre as passagens esmagadoras e com riffs brutais para o clima mórbido existente na camada Drone / Doom das faixas, é realizada de uma forma com que a música da Mizmor se mantenha sempre relevante, algo que é completamente necessário nesse tipo de abordagem. Vou citar como exemplo o início apocalíptico da faixa de abertura “I. Woe Regains My Substance”, a avalanche sonora dos primeiros instantes progride naturalmente para o ritmo arrastado e monolítico.

Há também uma certa versatilidade nas composições de A.L.N., ele é capaz de criar interlúdios incríveis e aproveitando a abordagem acústica no início de algumas faixas. Isso cria uma sensação imersiva na faixa “II. A Semblance Waning”, por exemplo. Por cerca de 3 minutos o início mais minimalista dos instrumentos se desenvolve sem pressa para nos entregar o peso abismal contido na faixa. “III. The Serpent Eats Its Tail ” também se aproveita desse recurso e apresenta uma performance hipnotizante do instrumental denso e arrastado, disparando uma série de riffs num tom mais estridente em certos momentos e responsável por criar uma atmosfera densa que se espelha pela faixa. Os vocais assustadores e insanos de A.L.N. são incríveis, desde os guturais cavernosos e aqueles mais agudos e estridentes perturbadores. Algo que é evidente na brutal “V. Bask in the Lingering”.

Eu apreciei o álbum em sua totalidade mas particularmente a “IV. Inertia, an Ill Compeller” é a minha favorita, é nela onde a música da Mizmor ganha mais profundidade e uma atmosfera que consegue ser bem envolvente e desenvolvida. A abordagem Drone é mais forte e as passagens são repletas de densidade e um tom melancólico que é bem reforçado pelos vocais. As progressões nela encaminham algumas passagens mais dentro do Doom Metal, a harmonia no instrumental também é mais acentuada e cria um desfecho memorável para a faixa, na qual o timbre da guitarra cria uma atmosfera sem igual.

Um álbum menos óbvio e atípico do que a maioria dos lançamentos que fazem a mente da galera, mas certamente algo indispensável para aqueles que apreciam uma sonoridade que vai mais ao extremos trazendo elementos já conhecidos e rotineiros do Doom e Drone, criando algo completamente aterrador e massivo. O meu favorito entre os álbuns que englobam a esfera do Drone no ano.

Tracklist:
01 – I. Woe Regains My Substance
02 – II. A Semblance Waning
03 – III. The Serpent Eats Its Tail
04 – IV. Inertia, an Ill Compeller
05 – V. Bask in the Lingering

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Um comentário sobre “Mizmor – Yodh

  1. Some albums seem to be meant to surprise the general public, popping up almost as an unknown and suddenly turning into something colossal and capable of reaching grand proportions, this can be applied to what happened to Mizmor (also known as מזמור) in Yodh. Until then, the band was something completely unknown to me (and I believe to many others too) even with a relative amount of material released between splits, singles and EP’s. Yodh is the second studio album of Portland’s one man band, idealized by A.L.N. which has a trajectory by bands like Urzeit and Hell (which even has a split with Mizmor).

    Bringing the unmistakable traits of the polish artist Zdzisław Beksiński on the cover of the album, Yodh explores a sonority capable of shredding his ears in a matter of moments. Plunging deep into the sphere of Black Metal in combination with what is most interesting in Drone / Doom, the album has an unmistakable style and presents a journey through the darkest, insane and chaotic sounds created by the mind of A.L.N.

    The album features five long-length chapters, with all tracks exceeding ten minutes. Organization is one of the words that best define what is built on the album, transitions between crushing passages and brutal riffs to the morbid climate on the Drone / Doom layer of the tracks, is performed in a way that Mizmor’s music stays always relevant, something that is completely necessary in this type of approach. Let me cite as an example the apocalyptic beginning of the opening track “I. Woe Regains My Substance, “the first-ever sound avalanche progresses naturally to the monolithic, sweeping rhythm.

    There is also a certain versatility in A.L.N.’s compositions, he is able to create incredible interludes and taking advantage of the acoustic approach at the beginning of some tracks. This creates an immersive feel in the “II. A Semblance Waning, “for example. For about 3 minutes the more minimalist beginning of the instruments develops without haste to give us the abysmal weight contained in the track. “III. The Serpent Eats Its Tail “also takes advantage of this approach and features a mesmerizing performance of dense and dragged instrumental, firing a series of riffs in a more strident tone at certain times and responsible for creating a dark atmosphere that mirrors the track. The scary and insane vocals of A.L.N. are incredible, from the cavernous guttural ones and those more acute and strident disturbing ones. Something that is evident in the brutal “V. Bask in the Lingering “.

    I enjoyed the album in its entirety but particularly the “IV. Inertia, an Ill Compeller “is my favorite, it is where Mizmor’s music gains more depth and an atmosphere that can be very engaging and developed. The Drone approach is stronger and the passages are bursting with density and a melancholic tone that is well reinforced by the vocals. The progressions in it point to a few more passages within the Doom Metal, the harmony in the instrumental is also more pronounced and creates a memorable ending for the track, in which the timbre of the guitar creates a unique atmosphere.

    An album less obvious and atypical than most releases that make the mind of the crowd, but certainly something indispensable for those who enjoy a sound that goes more to the extreme bringing elements already known and routine from Doom and Drone, creating something completely frightening and massive. My favorite among the albums that encompass the Drone scene in the year.

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