Cowardice – Without Condolence

Estados Unidos
Facebook / Bandcamp

O ano pode estar chegando ao fim, mas a história da Cowardice está apenas no início. O quinteto vindo de Nova Jersey lançará no dia 29 de Dezembro seu debut intitulado Without Condolence, o qual eu tive a oportunidade de escutar recentemente e já aviso que tem tudo para figurar entre os principais lançamentos do estilo no ano. A Cowardice reúne membros de bandas como Sunrot, Inertia, Black Urn e Sentient Horror, deixando evidente que a capacidade da banda em criar uma sonoridade pesada já é algo vindo de outras épocas.

Falando sobre a sonoridade da Cowardice, ela é um convite para os fãs de nomes mais clássicos do Sludge / Doom, há muita coisa tradicional do estilo na sonoridade da banda e ao mesmo tempo a Cowardice é capaz de revigorar essas características e transportá-las para dentro da maneira que querem conduzir sua música. Há também alguns elementos vindos do Death / Doom mais característico do Paradise Lost em seus primeiros trabalhos e alguns elementos do Drone. A temática cobre alguns temas relacionados à natureza e a condição humana em lidar com conflitos existenciais, elaborada de uma forma que proporcione o ouvinte a capacidade de tirar suas próprias conclusões ao se pensar naquilo que a banda aborda, subjectividade bem explorada.

Se existisse um manual informando como iniciar um álbum, “No Sovereignty” seria citada nele. Logo no início já temos uma dose do puro caos sonoro feito pela Cowardice, a faixa possui um instrumental arrastado repleto de densidade e um clima de horror que será constante no álbum, o vocal segue uma linha mais extrema e dispara uma série de berros insanos ao longo da faixa. “The Tearing Down” vem em seguida, a banda mantém todo o peso e intensidade apresentados anteriormente. O instrumental atinge níveis claustrofóbicos em alguns momentos e toda a construção da faixa é realizada de uma forma consciente, sabendo o momento ideal de desacelerar o ritmo ou aplicar uma passagem mais extrema e esmagadora.

“Synthetic Edens in a Crippled Will” é uma manifestação horrenda e imunda da forma que a Cowardice conduz sua música, após desencadear seu ritmo direto e repleto de peso, você não terá um momento para recuperar o fôlego. Alguns dos riffs mais incríveis do trabalho se encontram na faixa, linhas de baixo espetaculares e uma performance esmagadora do baterista, aplicando uma série de pancadas impiedosas ao longo da faixa. John Jones segue com sua performance furiosa e emana todo ódio e angústia  possíveis em sua abordagem. Não consigo imaginar outra palavra que não seja surpreendente para definir a próxima faixa no álbum. “I Yield My Prayers” é um belo interlúdio acústico, muito bem organizado e com toques suaves dando um merecido descanso após o início ofegante do trabalho. A faixa possui um sensação de profundidade incrível e traz todo um tom soturno ao trabalho.

Intencionalmente ou não, após o interlúdio as duas últimas faixas trazem uma abordagem que vai um pouco mais além do que o que foi apresentado nas três primeiras faixas. Os primeiros instantes de “Eroding Ethos” trazem uma atmosfera mais carregada e guitarras que se aproximam mais da estética do Drone. Longas passagens monolíticas guiadas pelos vocais de John Jones, com breves momentos trazendo uma série de arranjos quase acústicos nas guitarras, a banda parece ter encontrado a calma em meio a tempestade, mas sem abrir mão do instrumental pesado e da sensação mórbida e doentia que a música transmite. O desfecho do álbum ocorre com “Lower Tiers of Life”, faixa mais longa do trabalho com mais de doze minutos de duração. Assim como “Eroding Ethos” a banda demonstra uma outra perspectiva se comparada com as 3 primeiras faixas do álbum. A essência da banda continua a mesma, mas aqui, a sonoridade segue para um lado mais próximo daquilo que a Thou faz, por exemplo. Um clima quase que depressivo existe na faixa, aquela sensação abismal de desespero acompanha o instrumental da Cowardice até os instantes finais do álbum.

Se fosse apenas pelo início do álbum, já seria o suficiente para Without Condolence ser um álbum adorado por mim, mas a capacidade da banda de se reinventar e mudar o foco de sua abordagem que ocorre na metade final do álbum é algo que me agrada muito. Um novo nome emerge no underground e com ele um dos lançamentos mais interessantes do estilo no ano, confiram as duas faixas já liberadas do trabalho para terem uma noção do que está por vir no próximo dia 29, Without Condolence é um presente de natal para os amantes do gênero!

Tracklist:
01 – No Sovereignty
02 – The Tearing Down
03 – Synthetic Edens in a Crippled Will
04 – I Yield My Prayers
05 – Eroding Ethos
06 – Lower Tiers of Life

A huge thanks to Shannon for sending the material.

Cowardice:

Vocal – John Jones

Guitarra – Julian Cardazone

Guitarra – Christopher Eustaquio

Baixo – Stephan Edwards

Bateria – Ryan Cardoza

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Uma opinião sobre “Cowardice – Without Condolence”

  1. The year may be drawing to a close, but Cowardice’s history is only just beginning. The five piece from New Jersey will release their debut titled Without Condolence on December 29th, which I had the opportunity to listen to recently and already notice that it has everything to figure among the major releases of the style in the year. Cowardice brings together members of bands like Sunrot, Inertia, Black Urn and Sentient Horror, making it clear that the band’s ability to create a heavy sound is something that comes from other times.

    Speaking about Cowardice’s sound, it’s an invitation to fans of more classic names of Sludge / Doom, there is much traditional from the style in the sound of the band and at the same time Cowardice is able to invigorate these characteristics and transport them to the way they want to conduct their music. There are also some elements from the most characteristic Death / Doom era of Paradise Lost and some elements from Drone. The theme covers some themes related to the nature and the human condition in dealing with existential conflicts, elaborated in a way that gives the listener the ability to draw their own conclusions when thinking about what the band addresses, subjectivity well explored.

    If there was a manual stating how to start an album, “No Sovereignty” would be quoted in it. Early on we already have a dose of Cowardice’s pure sonic chaos, the track features a dragged instrumental full of density and a climate of horror that will be constant on the album, the vocal follows a more extreme line and shoots a series of insane screams. “The Tearing Down” comes next, the band retains all the heaviness and intensity presented previously. The instrumental reaches claustrophobic levels in some moments and the whole construction of the track is performed in a conscious way, knowing the ideal moment to slow the pace or apply a more extreme and crushing passage.

    “Synthetic Edens in a Crippled Will” is a horrendous and filthy manifestation of the way Cowardice conducts his music, after unleashing his direct, weight-filled rhythm, you will not have a moment to catch your breath. Some of the most incredible riffs of the work lie in the track, spectacular bass lines and overwhelming drummer performance, applying a series of ruthless strokes along the track. John Jones follows with his furious performance and emanates all possible hatred and anguish in his approach. I can not imagine another word that isn’t surprising to set the next track on the album. “I Yield My Prayers” is a beautiful acoustic interlude, very well organized and with soft touches giving a well-deserved rest after the gasping start of the work. The track has a incredible feeling of depth and brings a whole sullen tone to the work.

    Intentionally or not, after the interlude the last two tracks bring an approach that goes a little further than what was presented in the first three tracks. The first moments of “Eroding Ethos” bring a more charged atmosphere and guitars that come closer to the aesthetic of Drone. Long monolithic passages guided by John Jones’ vocals, with brief moments bringing a series of almost acoustic arrangements on the guitars, the band seems to have found calm in the midst of the storm, but without giving up the heavy instrumental and the morbid and sickening sensation that the music transmits. The album’s finale comes with “Lower Tiers of Life”, the longest track of the work lasting more than twelve minutes. Just like “Eroding Ethos” the band demonstrates another perspective compared to the first 3 tracks of the album. The essence of the band remains the same, but here, the sonority moves closer to what Thou does, for example. An almost depressive mood exists in the track, that abysmal sense of despair accompanies Cowardice’s instrumentality until the final moments of the album.

    If was just by the beginning of the album, it would be enough for Without Condolence to be an album I like, but the band’s ability to reinvent itself and change the focus of their approach that occurs in the final half of the album is something that pleases me a lot . A new name emerges in the underground and with it one of the most interesting releases of the style in the year, check the two tracks already released from work to get a sense of what is to come on the 29th, Without Condolence is a sludgy christmas gift for the lovers of the genre!

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