Merlin – Electric Children

Padrão

Stoner Rock / Doom / Psych
Estados Unidos
Facebook / Bandcamp / Spotify
4ONE8 Records

Lançado em 11 de Março, Electric Children é o sucessor do ótimo Christ Killer e um dos lançamentos mais agradáveis do ano. Aqueles que já experimentaram a sonoridade criada pela banda, vão se deparar com um álbum ainda mais maduro e bem organizado, repleto de variações bem elaboradas no instrumental que manifesta uma série de elementos de diferentes estilos musicais que a banda adotou para criar sua sonoridade. Enquanto algumas bandas tentam se reinventar numa tentativa constante de soar o mais original possível, a Merlin sabe como utilizar suas influências e combiná-las perfeitamente com suas próprias ideias. Como a própria banda descreve, seu propósito é “obliterar nossas mentes” e Electric Children (cuja  capa me lembrou algo do clássico Holy Mountain do Jodorowski) desempenha bem essa função.

Abrindo com a curta “Bad Trip”, a banda inicia sua jornada obscura com uma marcha impactante na bateria acompanhado por uma série de guitarras distorcidas e banhada em um fuzz demoníaco, caminhando por um instrumental com uma moldagem que combina elementos do Doom Metal com uma série de viagens psicodélicas, além da manifestação sombria propagada pelos cânticos ao longo da faixa.

A seguir vem a faixa título, mais balanceada que a anterior ela apresenta uma interação agradável entre ritmos mais cadenciados próximos do Space Doom, com riffs precisamente em um ritmo mais intenso. A faixa é um dos primeiros pontos de destaque do álbum e faz uma boa dosagem de sonoridades encontradas em bandas como Saint Vitus e Hawkwind. A parte final da faixa traz uma série de ritmos alucinantes e toda aquela sensação de estarmos completamente expostos à viagem sonora feita pela banda.

“Will of the Wisp” apresenta um ritmo mais arrastado em comparação com as duas faixas anteriores e remete bem às impressões deixadas pela banda em Christ Killer. A trilha sonora perfeita para uma cena de terror que lentamente vai destruindo sua mente, guiada por uma série de riffs mais densos e pesados numa vibe assombrosa em que o tom psicodélico sombrio ganha leves toques de melancolia. Os vocais na faixa possuem uma abordagem que levemente assemelham-se com um tom mais etéreo e transmitem com clareza a sensação que a banda descreve na faixa.

O interlúdio que vem a seguir traz uma série de synths assustadores e que para os mais ligados em trilhas, vão logo se sentir dentro de algo vindo do John Carpenter. Dois minutos de uma sensação abismal e introspectiva que nos preparam para a faixa seguinte.

“Night Creep” traz um ritmo envolvente e cativante, a sonoridade se apresenta de uma forma mais limpa e é conduzida de uma forma calma até a explosão rítmica que encontramos no refrão. As distorções nas guitarras durante o solo são completamente mind blowing, a bateria adota um ritmo mais agressivo com viradas de tirar o fôlego antes que a banda nos entregue novamente mais uma dose letal do refrão lisérgico da faixa.

“Warbringer” é o hino daqueles que perderam todos os seus valores e estão em um completo estado de vazio existencial, exemplificado no verso “My life, my soul, I think I lost them all”. A abordagem da faixa segue elementos mais clássicos do Stoner / Doom com uma ótima variação de ritmos e riffs impactantes, a composição da faixa é poderosa e não cede espaço para dúvidas quanto ao potencial da banda. A performance vocal na faixa também merece destaque, demonstrando uma grande variação de tons que muitas vezes exalam um sentimento de angústia que toca no fundo da alma.

Outro breve interlúdio vem a seguir, “A Reprisal for Julia” é inserida com o intuito de preparar o ouvinte para o final grandioso do álbum. A sonoridade neste interlúdio também apresenta um bom uso dos synths como demonstrados na quarta faixa.

Eu disse que o final seria grandioso, certo? “Tales of the Wasteland” por si só já seria motivo suficiente para descrever o trabalho impecável da Merlin em Electric Children, mas vai mais além, todas as sete faixas anteriores desempenharam o papel de preparar o ouvinte para este momento em especial, no qual a banda utiliza uma diversidade de ritmos e ideias impressionantes. É a combinação feita na medida ideal entre os que há de mais clássico no Rock Psicodélico transmitida atrav´s do Stoner / Doom feito pela banda. São 23 minutos intensos em que a banda é capaz de desenvolver a faixa de forma que nossa atenção sempre esteja fixada a cada novo detalhe ou ritmo apresentado na faixa. Uma odisséia dentro do universo criado pela Merlin na qual nossas mentes são desfragmentadas lentamente.

Aqueles que ainda não experimentaram profundamente a sonoridade da Merlin tem a chance de fazer isso em Electric Children, o álbum é de rápida assimilação e reúne uma série de elementos agradáveis para os fãs do gênero. Para aqueles que já conheciam a banda, acredito que todos os minutos do álbum foram bem significativos e os deixaram sedentos por mais uma viagem lisérgica destes bruxos vindos do Missouri.

Tracklist:
01 – Bad Trip
02 – Electric Children
03 – Will of the Wisp
04 – Interlude
05 – Night Creep
06 – War Bringer
07 – A Reprisal for Julia
08 – Tales of the Wasteland

(translation in the comments)

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Um comentário sobre “Merlin – Electric Children

  1. Released on March 11th, Electric Children is the successor to the great Christ Killer and one of the most enjoyable releases of the year. Those who have already experienced the sound created by the band, will come across an even more mature and well organized album, full of well-made variations in the instrumental that manifests a series of elements of different musical styles that the band adopted to create their sonority. While some bands try to reinvent themselves in a constant attempt to sound as original as possible, Merlin knows how to use their influences and combine them perfectly with their own ideas. As the band itself describes, its purpose is to “obliterate our minds” and Electric Children (whose cover reminds me of something of Jodorowski’s classic Holy Mountain) performs well.

    Opening with the short “Bad Trip”, the band embarks on its dark journey with a shocking march in drums accompanied by a series of distorted guitars bathed in a demonic fuzz, walking by an instrumental with a molding that combines elements of Doom Metal with a series of psychedelic journeys, in addition to the somber manifestation propagated by the chants along the track.

    Next comes the title track, more balanced than the previous one it presents a pleasant interaction between rhythms closer to Space Doom, with riffs precisely in a more intense rhythm. The track is one of the first highlights of the album and makes a good dosage of sonorities found in bands like Saint Vitus and Hawkwind. The final part of the track brings a series of hallucinating rhythms and all that feeling of being completely exposed to the sound journey made by the band.

    “Will of the Wisp” has a more dragged rhythm compared to the previous two tracks and is a reminder of the band’s impressions of Christ Killer. The perfect soundtrack to a horror scene that slowly destroys your mind, guided by a series of heavier denser riffs in an astonishing vibe in which the gloomy psychedelic tone gains slight touches of melancholy. The vocals in the track have an approach that slightly resembles a more ethereal tone and clearly convey the feeling the band describes in the track.

    The interlude that follows brings a series of scary synths and that for the most connected on soundtracks, will soon feel inside something from John Carpenter. Two minutes of an abysmal and introspective feel that prepares us for the next track.

    “Night Creep” brings an engaging and captivating rhythm, the sound is presented in a cleaner atmosphere and is conducted in a calm way until the rhythmic explosion that we find in the chorus. The distortions on the guitars during the solo are completely mind blowing, the drums adopting a more aggressive rhythm with breathtaking turns before the band again delivers another lethal dose to the lysergic chorus of the track.

    “Warbringer” is the anthem of those who have lost all their values ​​and are in a complete state of existential emptiness, exemplified in the verse “My life, my soul, I think I lost them all”. The approach of the track follows more classic elements of the Stoner / Doom with a great variation of rhythms and striking riffs, the composition of the track is powerful and does not give chance for doubts to the potential of the band. The vocal performance in the track also deserves to be highlighted, demonstrating a great variation of tones that often exude a feeling of anguish that touches the bottom of the soul.

    Another brief interlude follows, “A Reprisal for Julia” is inserted in order to prepare the listener for the grand finale of the album. The sonority in this interlude also presents a good use of the synths as demonstrated in the fourth track.

    I said the ending would be great, right? “Tales of the Wasteland” by itself would be sufficient reason to describe Merlin’s impeccable work at Electric Children, but goes further, all seven previous tracks played the role of preparing the listener for this particular moment, in which Merlin uses a variety of impressive rhythms and ideas. It’s the ideal combination of the most classic Stoner / Doom with psychedelic rock ever produced by the band. Are intense 23 minutes in which the band is able to develop the track so that our attention is always fixed with each new detail or rhythm presented in the track. An odyssey within the universe created by Merlin in which our minds are slowly defragmented.

    Those who have not yet deeply experienced the sound of Merlin have the chance to do so in Electric Children, the album is quick to assimilate and brings together a number of elements pleasing to fans of the genre. For those who already knew the band, I believe that every minute of the album was very significant and made them thirsty for yet another lysergic trip from these wizards from Missouri.

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